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Junta de Freguesia - História da Terra

 

 ELEVAÇÃO A VILA

A Freguesia de Arcozelo viu ser-lhe atribuída a categoria de Vila, por deliberação daAssembleia da República em 09 de Dezembro de 2004.

Trata-se de um estatuto que reconheceu de certa maneira as condições infra-estruturais existentes, mas é sobretudo um desafio enorme para os autarcas locais e para toda a população em geral e que se prende com o esforço que em conjunto tem de ser feito para dotar a agora Vila de melhores condições e sobretudo de melhor qualidade de vida para toda a população. É ainda uma responsabilidade maior quando “do outro lado do rio” está a magnífica Vila de Ponte de Lima. Contamos todos nós, Arcozelenses, com o indispensável apoio municipal para que essas condições sejam alcançáveis no mais curto espaço de tempo possível.

 

 

HISTÓRIA

 

Padroeira: Santa Marinha.
Habitantes: 5.476 habitantes (I.N.E.2011) e 3.713 eleitores em 31-12-2011.
Sectores Laborais: Extracção e transformação de granito,   extracção e transformação de madeira, construção civil, turismo, comércio, agricultura e pecuária.
Tradições Festivas: Santo António; S. Gonçalo; S. Sebastião; Nossa Senhora da Luz e Santo Ovídio.
Valores Patrimoniais e Aspectos Turísticos: Igreja Paroquial; Igreja de Santo António da Torre Velha; Capela de Nossa Senhora da Luz; Capela do Anjo da Guarda; Alminhas da Ponte; Cruzeiro (Arnado); Ponte Romana e Ponte Medieval, sobre o rio Lima; Pontes do Arco da Geia e do Arquinho; Pedra do Cavalinho, Miradouro do Monte de Santo Ovídio; belezas ribeirinhas dos rios Lima e Labruja, Casas senhoriais: do Arrabalde; do Barrenho; do Conselheiro; do Antepaço; do Pombeiro; de Pomarchão; das Tinocas; da Freiria; do Arnado; do Outeiro; Casa Grande; Quinta de Sabadão e Convento de Val de Pereiras, entre outras.
Artesanato: Cestaria, rendas, trabalhos em cerâmica, bordados, latoaria, cantaria e talha no granito.
Colectividades: ACRA – Associação Cultural e Recreativa de Arcozelo; Clube Náutico de Ponte de Lima; Agrupamento 807 de Arcozelo e Grupo Cultural e Recreativo de Danças e Cantares de Ponte de Lima. A ACRA integra três secções: Desportiva, dedicada à formação de jovens; Recreativa, que contempla uma Fanfarra, um Grupo de Bombos e uma Rusga de Concertinas; Cultural, que integra um grupo de teatro amador (Dupla Face).

 

 

Situada na margem direita do rio Lima, que lhe serve de limite com a da vila de Ponte de Lima, esta à margem esquerda do rio, Arcozelo é a mais populosa freguesia do concelho, calculando-se em cerca de 4.025 habitantes, de acordo com dados da Junta de Freguesia em 1999. Arcozelo ocupa uma com uma área de 1.187 ha. A sua ligação, desde sempre, ao núcleo urbano da vila de Ponte de Lima, fica eloquentemente atestada, de resto, pelo seu sítio com o nome bem significativo de Além da Ponte, durante anos e anos fazendo parte da vila e seu maior fornecedor de almas. A este se somam os lugares de Antepaço; Arco da Geia; Armada; Barrosa; Barrosas; Boavista; Borralhos; Casinha; Canos; Costa; Faldejães; Folão; Freiria; Igreja; Lousa Cardo;Lousados; Outeiro; Pedregosas; Penedinho; Poços; Presa; Rapído; Regadas; Regatal; Riba-Rio; Ribeiro; Sabadão; Salgueirinho; Sr.ª da Luz; Tendeiros; Trás-os-Palheiros; Val-de-Pereiras e Vilar, assim se completando a geografia actual da freguesia de Santa Marinha de Arcozelo.
Esta é uma terra antiga e rica em testemunhos monumentais e históricos, dos tempos primeiros até, e principalmente, referentes à época da prosperidade senhorial.
Na Igreja Matriz, do antigo templo românico, talvez do século XII, apenas restam, praticamente, os modilhões das fachadas laterais da nave. São relevos muito pitorescos, idênticos aos de outros templos nortenhos da mesma época: figuras humanas, animais, formas geométricas ou outras possíveis alegorias.
Para além da famosa Ponte Romana e da Ponte Medieval, sobre o rio Lima, que liga as duas margens deste rio entre a Vila de Arcozelo e a Vila de Ponte de Lima, existem, ainda, na freguesia duas pontes antigas. Das duas a mais importante é a Ponte do Arquinho, no lugar de Faldejães, com uma estrutura em cavalete e dois arcos góticos (séculos XIV-XV). Conserva ainda as guardas, a cachorrada e os largos contrafortes. A Ponte do Arco da Geia, perto da igreja matriz, patenteia nalgumas aduelas uma origem romana, mas o seu único arco, já sem guardas na parte superior, sofreu totais reconstruções na Idade Média e posteriormente. Outros sinais exteriores e preservados da grandeza antiga desta terra são, sem dúvida, o Convento (particular) de Val-de-Pereiras - fundado em 1368 - e as muitas e interessantes casas senhoriais e quintas que pontuam toda a freguesia.

A Casa do Outeiro, com a sua capela, os terreiros, o portão, o cruzeiro e o aqueduto, no lugar de Santo Ovídio merecem uma referência especial.

A Casa da Granja é um belo e típico solar da região, atribuível aos primeiros decénios do século XVIII. No seu corpo principal corre, no segundo piso, uma varanda de arcos apoiados em pilares, fechados por balaústres, que se firma sobre uma outra arcada rasgada no piso inferior (de acesso às dependências da lavoura). Encosta-se este corpo principal a uma torre quadrangular ainda de carácter seiscentista, que na face ocidental é prolongada por uma das fachadas laterais da construção. No ângulo formado pela torre e pela fachada nobre encaixa a escadaria que vai até à varanda - escadaria elegante e de certo aparato, de balaustradas barrocas.
À entrada do terreiro que enfrenta a casa, impõe-se o portal fidalgo cortado num muro setecentista (que outrora apresentou ameias) e flanqueado por duas pedras de armas. Entre o portal e a casa-torre, já no terreiro, levanta-se uma capela muito simples, com a data de 1718.

A Casa de Faldejães, construída por Gaspar da Gama, nos finais do primeiro quartel do século XVIII, patenteia uma estrutura e pormenores que a ligam aos palacetes que o engenheiro-arquitecto Manuel Pinto de Vilalobos deixou em Viana do Castelo.
A fachada nobre do edifício, de um barroco linear e robusto, alardeia no segundo piso uma fiada de cinco típicas varandas, cujas padieiras, de molduras rectilínias, suportam placas com uma forma trapezoidal (como acontece com as janelas e portas do piso inferior). Na extremidade esquerda do solar levanta-se a capela, com o seu nicho entre volutas, valorizada por uma inscrição onde se lê a data de 1721. Dentro da capela, um retábulo de talha dos fins de Setecentos.
 

 

A Casa de Pomarchão é um dos mais conhecidos e famosos solares do norte do país, se bem que de arquitectura arcaizante. Pela data de 1755, que se encontra na capela, e pela de 1760, inscrita no portão de ferro da entrada, julga-se que a moradia remonta aos inícios do terceiro quartel do século XVIII. Insere-se a construção, todavia, na corrente tradicional vinda da centúria anterior, como o demonstram as colunatas de sabor maneirista das fachadas principal e lateral (ambas com longas varandas cobertas). Escadarias barrocas de um só lanço permitem, em cada uma dessas fachadas, o acesso às respectivas varandas. Entretanto, numa das extremidades da frontaria nobre levanta-se o habitual torreão de três andares, aqui enriquecido de lindas janelas lavradas e de altos pináculos (iguais aos do telhado do corpo residencial). Em ângulo recto com o torreão ergue-se a capela, nitidamente da segunda metade do século XVIII, sobrepujada por uma cornija rococó.O grande pátio fronteiro ao edifício é fechado por um muro guarnecido de pirâmides, a meio do qual irrompe, por cima do portal, a pedra de armas dos Malheiros Reimões. No interior do solar guardam-se móveis e quadros de interesse, enquanto na capela se observa um retábulo de talha "rocaille" dos fins do século XVIII.

Mas não se fica por aqui o amplo conjunto de residências da aristocracia instalado na freguesia de Arcozelo - muitas delas competentemente aproveitadas para o turismo rural. Enumeram-se ainda os seguintes exemplos: a Casa do Arrabalde, outrora dos Távoras Portocarreros, no bairro de Além da Ponte, casa equilibrada e graciosa, provavelmente do terceiro quartel do século XVIII (conforme insinuam os decorativos remates das janelas barrocas); a Casa de Pombeiro, no lugar de Sabadão, anunciada pelo seu portal brasonado e a mostrar, ao fundo do pátio, uma fachada tardia de varanda alpendrada e dupla colunata (segunda metade de Setecentos); a Casa dos Abreus Limas, perto da anterior, e também da segunda metade do século XVIII, com uma entrada aparatosa, aberta num muro sobrepujado pela pedra de armas e por ameias, mas de modesto corpo habitacional; a Casa Grande, na zona de Além da Ponte, obra já oitocentista, neo-clássica, assinalada pelo brasão e sacadas.

 

     

 A Pedra do Cavalinho, situada apenas a 5 metros do muro de suporte do adro da Capela de Santo Ovídio, no monte do mesmo nome, merece ainda a nossa atenção.

Igualmente dignos de registo, o cruzeiro antigo no Souto da Forca, o lugar de Faldejães e a Capela de Nossa Senhora do Carmo, chamada antes da Esperança e colocada sobre a ponte junto à Torre Velha, e a de S. Miguel do Abrigo (conversão morfológica dos vocábulos arcaicos abrego e aurega) ou do Anjo da Guarda, situada exactamente no monte de Santo Ovídio, em assento na margem direita do Lima, defronte da vila, no Campo de Arnado, antes da ponte.

Esta ermida antiquíssima - é impossível averiguar o século em que foi fundada - tem as costas voltadas contra o rio e a frente para os terrenos que ele no século XIII cortava, quando a única ponte existente sobre a extensão do Lima, desde a sua origem até à foz, era a que ainda hoje subsiste, em frente da Igreja de Santo António da Torre Velha, em seco, no feitio de albardão.
É um padrão quadrangular, todo em pedra, abobadado, aberto por três arcos, ostentando embutida na parede do fundo uma tosquíssima figura humana, de granito, que dizem representativa de S. Miguel, o qual segura na mão esquerda uma balança, destinada a pesar as almas e os seus pecados, e na direita brande um sabre ou espada, na atitude de estripar o espírito maligno, o diabo alado, sob cujo ventre resistente carrega com pé firme.

    

Finalmente, a Casa da Freiria - que foi de Dom Manuel Meneses, fidalgo e vigésimo quarto neto do rei Dom Fruela, o II de Leão - apenas conserva alguns elementos do palacete originário, da segunda metade do século XVIII (que foi arrasado nos começos do nosso século e reconstruído, a seguir, com sensíveis modificações).

As principais actividades industriais geradoras de emprego são as confecções, calçado e sobretudo a extracção e beneficiação artesanal do granito, tendo havido nos últimos anos um significativo investimento industrial nessas mesmas actividades.

Quanto à agricultura, segundo informação da autarquia, não é relevante, pois só cerca de 20% dos activos a praticam, 10% dos quais como complemento ao orçamento familiar. Contudo, tem-se assistido a alguns investimentos por partes de jovens agricultores, nas áreas da vitivinicultura, da hortofloricultura e da pecuária.

A freguesia é servida por uma auto-estrada (A27), que liga Arcozelo a Viana do Castelo e por um I.C. (I.C.28) que faz a ligação à auto-estrada A3 (Porto-Braga-Valença) e aos concelhos vizinhos de Ponte da Barca e Arcos de Valdevez. Dispõe de transportes públicos regulares.

No capítulo das infra-estruturas básicas, existe uma rede de abastecimento de água ao domicílio que cobre cerca de 90% dos alojamentos existentes. O saneamento apenas chega a cerca de 50% da freguesia, pelo que a restante ainda utiliza as tradicionais fossas sépticas. A recolha do lixo, por enquanto abrange cerca de 85% dos alojamentos, numa periodicidade bissemanal.

Na área do ensino, existe um centro do ensino pré-primário, um centro educativo para o ensino básico e uma escola de ensino secundário.

No capítulo da saúde, também a proximidade à sede do concelho supre as lacunas existentes.

Na acção social, Arcozelo possui um centro de dia, estando em curso, no âmbito de protocolo celebrado entre a autarquia Arcozelense e a Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima, a candidatura a apoios comunitários para a construção de um Centro Comunitário que albergará um Lar de Idosos, um Centro de Apoio Domiciliário, um Centro de Dia, uma Creche e um Centro de Cuidados Continuados.

Para a prática desportiva, existem na freguesia salas de desporto, um campo de jogos, outro de ténis, um polidesportivo e, como colectividades mais representativas, o Clube Náutico de Ponte de Lima e a ACRA – Associação Cultural e Recreativa de Arcozelo. Está prevista a recuperação e adaptação de parte de um edifício (antiga Fábrica da Cerâmica), para a instalação de um Pavilhão Multiusos, destinado às colectividades existentes e onde será instalado um espaço dedicado para o Grupo de Teatro “Dupla Face”.

Na vertente turística, para além do já mencionado património monumental, Arcozelo oferece aos seus visitantes as belezas ribeirinhas dos rios Labruja e Lima e as vistas panorâmicas observadas do Monte de Santo Ovídio (o miradouro por excelência do Alto Minho). De mencionar ainda a capacidade de acolhimento da freguesia, que para além das Casas de Turismo de Habitação, residenciais e estalagens, viu recentemente inaugurado o Albergue dos Peregrinos de Santiago de Compostela, situado do Largo da Alegria (antigo Largo Alexandre Herculano), no “Bairro de Além-da-Ponte”.

O Jardim Temático do Arnado é digno de uma visita atenta e o Festival Internacional de Jardins, que acolhe arquitectos paisagistas de várias partes do mundo que aí, dentro de um concurso anual, expressam a sua criatividade no domínio do embelezamento dos espaços.

O Caminho de Santiago de Compostela atravessa a Vila de Arcozelo numa extensão de 7 km e, pena é, que as autoridades e as associações a ele ligadas não promovam a sua limpeza e recuperação, dando aos peregrinos que nele transitam anualmente (e são muitos), melhores condições de peregrinação. Existem ainda na Freguesia duas “Ecovias” que proporcionam momentos de lazer e contacto directo com a Natureza aos residentes.
A gastronomia minhota, tão apelativa e credenciada, aliada à gastronomia local, onde o tradicional “Arroz de Sarrabulho” pontifica, é dignamente representada nos dois restaurantes mais emblemáticos da Vila de Arcozelo, símbolos de excelência da cozinha tradicional: “A Carvalheira”, no lugar de Sabadão à face da EN 201 e “O Açude”, junto ao Festival Internacional de Jardins e às instalações do Clube Náutico.
 

O FUTURO

As acessibilidades existentes na Freguesia da Vila de Arcozelo garantem-lhe condições de excelência estratégica para o seu desenvolvimento económico, condições estas que, aliadas à implementação a breve prazo do Pólo Industrial do Granito das Pedras Finas e de dois outros Pólos Empresariais, serão certamente aliciadoras da fixação de empresas.
A indústria do granito, a maior indústria do concelho, representa um sector de grande importância, quer pela capacidade de garantir postos de trabalho (500 directos e mais de 2500 indirectos), quer pela riqueza que gera.
Os autarcas da Vila de Arcozelo estão empenhados no seu desenvolvimento sustentado, existindo hoje um consenso muito alargado nesse sentido.

  
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